Hora'EÇA - Um percurso pela vida e obra de  EÇA de QUEIRÓS

Algumas Homenagens a EÇA

Os postais , em 1909, já lhe divulgaram o rosto.  

 

Em 1925, o Banco de Portugal homenageava o escritor numa nota de Dez Escudos do Banco de Portugal.

No Brasil, Eça deu, até, origem ao nome de uma marca de cigarros "superfinos"

Em Lisboa, erigiu-se-lhe a estátua no Largo do Barão de Quintela, à Rua do Alecrim.

Estátua de Teixeira Lopes

Em 1995 (150 anos sobre o seu nascimento) editaram-se selos, nos Correios de Portugal e do Brasil, assim como uma série de carimbos e medalhas em bronze (uma assinalando a efeméride, outra "Os Maias" e uma terceira, representando a fachada da casa onde Eça viveu, em Vila do Conde).

 

No ano 2000, Paula Rego ilustra romance de Eça: é esta a homenagem da editora Campo de Letras, cem anos depois da morte do escritor. Desde finais de Outubro, os leitores queirosianos têm acesso a mais uma edição de O Crime do Padre Amaro. Uma edição especial, uma vez que, a acompanhar o texto, surgem cerca de trinta ilustrações, concebidas por Paula Rego

 

MADAME, é um texto original de Maria Velho da Costa, que reuniu em cena duas das maiores actrizes do teatro português e brasileiro: Eunice Muñoz e Eva Wilma. As intérpretes vestiram a pele, respectivamente, de Maria Eduarda, de "Os Maias", de Eça de Queirós, e Capitu, de "Dom Casmurro", de Machado de Assis.

No final dos dois romances originais, as protagonistas têm um destino comum - o exílio, na Europa. A acção da peça reporta-se a esse tempo de exílio, colocando o espectador, através de jogos subtis e de uma leitura bem humorada, em contacto com o destino das duas mulheres e com diversas situações das obras implicadas.

 

Excerto da peça "MADAME", DE MARIA VELHO DA COSTA

Cena IV - O Bastardo

[Entra Manuel Afonso. Vem vestido como um gentleman gauche, um pouco como se imagina o pai de Maria Monforte.

Mas tem aprumo e autoconfiança. Beija a mão a Maria Eduarda e deixa-se ficar em pé, olhando em volta, apreciativo.]

M. Afonso (sotaque brasileiro): Pois muitíssimo gosto, Mme. de Trelain.

(Irónico) Pois bela toca tem V. Exa. aqui.

MARIA (fechando o rosto e mudando a postura ao termo toca).. Anunciou-se o senhor como meu parente chegado, donde recebê-lo nos meus aposentos a hora tão imprópria e neste desalinho. A quem tenho pois o gosto? ...

 

M. AFONSO: Manuel Afonso de Runa, Sra. D. Maria Eduarda, embora o de Runa não o tenha de registo ou baptismo, apenas de alguma invenção e direito, tal como a mãe de V. Exa., que Deus guarde se conseguir, se apelidava de solteira Monforte pelos salões de Lisboa, sendo tão-somente Forte do nome do pai, o negreiro açoriano.

[Maria levanta-se de rompante, fazendo cair a cadeira que M. Afonso se apressa a levantar, com muita mesura.]

...............................

M. AFONSO (ameaçador): Pois não tenha pressa, Maria Eduarda, antes de que eu lhe diga quem sou, do que sei, ao que venho. Ou sou seu irmão mais velho ou seu tio. Como se pode comprovar por muitos documentos na posse do procurador do meu mano, ou sobrinho, Carlos da Maia, o qual para seu infortúnio, ou vingança dos poucos deuses que assistiram a minha mãe, foi também seu amante. E depois a manteve a distância no luxo a que tem direito, por ser legítima filha de meu pai, ou de meu irmão, Pedro da Maia.


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